O Estado de São Paulo
O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou na última sexta-feira (28/3) o relatório final da “Avaliação da utilização do percentual de 30% do etanol anidro na gasolina em veículos leves e motocicletas”, desenvolvido pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). O estudo confirma que a nova mistura, chamada E30, é viável.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ressalta que os resultados da pesquisa fortalecem a política energética do Brasil, alinhando-a com os princípios de sustentabilidade e proteção ao consumidor.
“O relatório confirma que podemos avançar na ampliação do uso do etanol na nossa matriz de combustíveis sem prejuízos para os consumidores. Isso fortalece o compromisso do Brasil com os biocombustíveis e com a nossa liderança global na transição energética”, afirmou.
Os testes realizados pelo IMT analisaram os efeitos do aumento da proporção de etanol anidro na gasolina, de 27% para 30%. Os resultados indicam que essa alteração não gera impactos negativos significativos no desempenho dos veículos, na dirigibilidade, no consumo de combustível ou nas emissões. O estudo atende às diretrizes da Lei do Combustível do Futuro (14.993/24), que busca ampliar o uso de biocombustíveis como parte da estratégia de descarbonização e transição energética do Brasil.
Modelos a gasolina foram avaliados com a nova gasolina
A pesquisa incluiu a avaliação de 16 modelos de veículos leves e 13 motocicletas representativos da frota nacional, submetidos a testes em laboratório e em condições reais de rodagem. Foram analisados fatores como partidas a frio, estabilidade da marcha lenta, aceleração, retomadas de velocidade e emissões. Os resultados mostraram que os veículos abastecidos com E30 apresentaram comportamento semelhante ao da gasolina E27, comprovando a adaptação dos sistemas eletrônicos de controle e injeção, inclusive em modelos carburados.
Nos ensaios laboratoriais, não foram registradas alterações significativas nas emissões de poluentes ou na autonomia dos veículos. Algumas pequenas variações estatísticas foram observadas, mas sem ultrapassar os limites regulatórios. O estudo conclui que a introdução da gasolina E30 pode ocorrer sem prejuízos aos consumidores e conforme as normas ambientais.
A iniciativa contou com a participação de diversas entidades do setor automotivo e de biocombustíveis, incluindo ANP, ANFAVEA, ABRACICLO, ABEIFA, SINDIPEÇAS, UNICA e UNEM, entre outras. O relatório final servirá de base para as decisões do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre a ampliação do teor de etanol na gasolina.
Nova gasolina E30 vai afetar o carro?
Conforme o engenheiro Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira Engenharia Automotiva (AEA), os ensaios com a nova gasolina analisam diferentes aspectos. “São três categorias: dirigibilidade, onde testam-se os efeitos no automóvel, como a partida a frio e a condução do veículo; compatibilidade de materiais, onde se mede corrosão e resposta de materiais elastoméricos, injeção e afins; e emissões“.
Dessa forma, alguns efeitos são esperados. Por exemplo, o aumento do etanol na gasolina comum resultará em uma queima mais limpa no escape. Além disso, pode afetar o consumo dos veículos. “Com a adição de 3% de etanol na mistura, o motorista pode sentir diferença na autonomia total, que pode baixar”, explica o diretor da AEA. Além disso, modelos importados ou mais antigos podem levar mais tempo para se adaptar.
Contudo, segundo o relatório do governo, as alterações registradas nos testes não foram significativas.
Acesse o relatório completo dos testes neste link.
(Jornal do Carro)