Estudo compara níveis de emissão de eletrificados em relação à média nacional

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Instituto avalia quais são as tecnologias mais poluentes entre 108 modelos híbridos e elétricos vendidos no mercado brasileiro

O Estado de S. Paulo 

O nível de emissões dos veículos eletrificados em relação aos de motores a combustão ainda gera polêmica no Brasil. Será que eles são muito menos poluentes? Para lançar luz nesse tema, o Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT Brasil) realizou a pesquisa “Tecnologias de propulsão e emissões de CO e: comparação de veículos elétricos e híbridos no Brasil”.

O ICCT é um instituto de pesquisa norte-americano fundado em 2005 e que iniciou suas atividades no Brasil em 2020. Conduzido ao longo de seis meses pelo físico Guido Haytzmann e pelo economista André Cieplinski, o estudo considerou as emissões de dióxido de carbono equivalente (CO, e) dos 108 modelos híbridos e elétricos disponíveis no mercado brasileiro de janeiro de 2023 a abril de 2024.

Vale ressaltar que os veículos abordados no estudo eram 44 totalmente elétricos, 14 híbridos convencionais (HEV), 21 plug-in (PHEV) e 29 híbridos leves (MHEV). A avaliação das emissões levou em conta o ciclo de vida do chamado poço à roda, ou seja, desde a extração de recursos naturais até a produção, distribuição e consumo dos combustíveis. Saiba mais na tabela ao lado.

Desde o anúncio do programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), em 2024, as fabricantes vêm investindo na importação e no desenvolvimento dos híbridos flex. Mas, segundo o levantamento, alguns fatores são capazes de inibir o potencial deles na redução de emissões de gases de efeito estufa (GEFE). Em primeiro lugar, a preferência do motorista em abastecer o tanque com gasolina mais poluente – e não etanol.

Segundo: no caso dos modelos PHEV, o uso do modo elétrico na condução é abaixo do esperado. E, terceiro, há diferenças expressivas entre as tecnologias de propulsão adotadas nos híbridos, refletindo em ampla variação das emissões.

DO POÇO À RODA. Os dois principais indicadores para calcular o lançamento de CO, e no meio ambiente são o consumo energético (MJ/km) dos carros, medidos em condições padrão de laboratório, e os fatores de emissão de gCO, e/km (grama de dióxido de carbono por quilômetro rodado) equivalente do poço à roda de cada combustível. O ICCT Brasil se valeu dos dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Como régua de comparação, o estudo adotou a média de emissões de COze do poço à roda dos carros vendidos no Brasil, que é de 117 gcOxe/km. As diferenças são marcantes. Os carros eletrificados com as piores emissões chegam a liberar mais do que o dobro de CO, e frente aos modelos mais eficientes da mesma categoria.

As emissões dos 100% elétricos variam de 18 a 39 gCO, e/km. Os híbridos convencionais ficam entre 87 e 166 gCO, . e/ km, ao passo que os números dos PHEV foram de 74 a 186 gcO e/ km e dos MHEV entre 114 € 303 gCO: e/km.

Boa parte dos híbridos libera GEE acima da média do mercado nacional. Mesmo o híbrido mais eficiente emite 73, 6 gCO e/km, ou seja, 3, 3 vezes a mais da faixa média dos elétricos (22 g COe/km).

Já os HEV flex se saíram melhores. Utilizando no reservatório a proporção de 28% de etanol hidratado e 72% de gasolina, eles despejam 23% menos que a média dos carros de passeio nacionais e aproximadamente quatro vezes mais que os elétricos.

POTENCIAL. Os HEV a gasolina e os PHEV apresentam emissões de CO e 7, 7% e 8, 7% menores do que a média brasileira, respectivamente. “Chama atenção o baixo potencial de descarbonização dos híbridos: apenas18 dos 64 modelos analisados registraram emissões abaixo da média de mercado”, afirma André Cieplinski.

No entanto, ele pondera que os veículos híbridos não devem ser tratados igualmente, porque possuem características distintas.

Os híbridos plug-in reúnem maior capacidade de descarbonização. Abastecidos só com etanol, as emissões seriam reduzidas em 55%. As emissões dos MHEV variam de 8, 4% a 77 4% acima da média nacional. Até os MHEV flex apresentam níveis de emissões superiores à média. Por fim, os BEV emitiram 81% menos do que a média.

No período da pesquisa, somente uma versão de BEV custava abaixo do preço médio dos veículos de passeio. Os HEV apresentavam oscilações de valores entre R$ 169 mil e R$ 572 mil. Os MHEV e PHEV também tinham preços com variações significativas, entre R$ 142 mil e R$ 1, 35 milhão. Os PHEV exibiam o carro de entrada com valor mais elevado: R$ 250 mil.

“Há uma correlação interessante entre emissões de CO, e e os preços dos modelos de todas as tecnologias. Ela está atrelada ao fato de que os veículos mais caros são importados e, geralmente, esportivos. Assim, têm pior eficiência energética”, explica Guido Haytzmann.

Ele acrescenta: “O ritmo de crescimento das emissões em função dos preços dos BEV é menor que o dos híbridos. Da mesma forma, os híbridos flex que apresentam os índices de emissões mais baixos são os de menor custo”.

Apesar das limitadas reduções de emissões demonstradas pelos híbridos à venda no País, os ganhos de autonomia em modo elétrico dos PHEV e a oferta de híbridos flex para o uso de etanol e de eletricidade a partir de fontes 100% renováveis podem apontar para a diminuição de gases poluentes.

“Os PHEV são os híbridos com maior potencial de mitigar as emissões de CO, e. Rodar com etanol e eletricidade 100% renovável nas recargas, em conjunto com a condução no elétrico, é uma ação que baixaria a emissão para 30, 3 gCO. e/km”, destaca Cieplinski.

No melhor cenário, os HEV utilizando 100% etanol poderiam emitir 50, 9 g CO. e/km, enquanto os MHEV chegariam a 73, 8 gcO ze/km. Portanto, em comparação aos modelos atuais a gasolina, os PHEV conseguiriam reduzir as emissões em até 72%, e os HEV e MHEV em 52%.

De acordo com os pesquisadores, futuramente o estudo deverá ser enriquecido com novas informações, na medida em que o mercado de eletrificados evoluir. O ICCT Brasil pretende encaminhar o documento ao poder público, com o intuito de utilizá-lo como fonte de estudos para possíveis incentivos aos veículos eletrificados que agridem menos o meio ambiente. €

“O ritmo de crescimento das emissões em função dos preços dos BEV é menor que o dos híbridos. Os híbridos flex que apresentam os índices de emissões mais baixos são os de menor custos. ” Guido Haytzmann Físico do ICCT

Atualização constante Segundo os pesquisadores, o estudo será enriquecido à medida que o mercado de eletrificados evoluir

“Chama atenção o baixo potencial de descarbonização dos híbridos: apenas 18 dos 64 modelos analisados registraram emissões abaixo da média de mercado” André Cieplinski Economista do ICCT

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