‘Não pensamos em mexer (nos preços) agora’

Magda Chambriard reforça que Petrobras vai ampliar a produção de biodiesel
13/03/2025
‘Se combustíveis ficarem muito acima do preço do mercado, vamos mexer’, diz presidente
13/03/2025
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– Presidente da Petrobras diz que tendência de preços internacionais é que baliza decisões da companhia

O Estado de S. Paulo

ENTREVISTA

Magda Chambriard

Engenheira, presidiu a Agência Nacional de Petróleo (ANP) entre 2012 e 2016; está no comando da Petrobras desde maio de 2024

Petrobras pode baixar os preços caso os combustíveis no Brasil fiquem muito mais caros do que os patamares praticados no mercado internacional, de acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard. Pressões recentes, incluindo ações do chefe da Casa Branca, Donald Trump, têm empurrado as cotações do petróleo para baixo. Atualmente, o preço do tipo Brent está em cerca de US$ 70 por barril, abaixo dos US$ 83 previstos no plano da Petrobras, divulgado em novembro.

“Se o preço (no Brasil) ficar muito acimado mercado (externo) e enxergarmos que a tendência é essa, vamos mexer certamente. Da mesma forma, se ficar abaixo vamos mexer também”, disse Magda, em entrevista ao Estadão/Broadcast, durante evento da Câmara de Comércio Brasil-Texas (Bratecc), encontro que acontece em paralelo à CERAWeek, uma das maiores conferências de energia do mundo, realizada em Houston (EUA).

Sobre a aprovação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o plano de limpeza da sonda que será utilizada na Margem Equatorial, Magda disse que é um sinal de que a estatal está no caminho certo para começar a explorar a área, considerada uma espécie de “novo pré-sal”, mas que divide ambientalistas e o setor de óleo e gás. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O ministro de Minas e Energia disse em entrevista à Coluna do Estadão que, diante dos preços mais baixos do petróleo no mercado internacional e da queda do dólar, é o momento de analisar uma redução do preço dos combustíveis no Brasil. A sra. concorda?

Analisamos o preço no mínimo a cada 15 dias. Isso aí faz parte da nossa obrigação, olhar esses preços toda hora.

E já está na hora de baixar? Se o preço ficar muito acima do mercado e enxergarmos que a tendência é essa, vamos mexer certamente. Da mesma forma, se ficar abaixo, vamos mexer também. Monitoramos isso e também o market share. O que não é interessante para nós é ficar como preço muito alto porque perdemos mercado. Com preço muito baixo, perdemos dinheiro. O que fazemos é olhar o tempo todo se essas coisas estão equilibradas dentro do que a Petrobras se propõe.

Há pressão sobre os preços? Olha só, a pressão vem mais pelo jornal, pelos jornalistas e pelo mercado. Porque o governo mesmo está entendendo como correto o posicionamento da Petrobras. No ano passado, logo que assumi, eu disse: esse preço não está legal. E tivemos toda a liberdade, sem nenhuma pressão, nenhum constrangimento, para colocar o preço no patamar que entendemos como correto.

Qual é o momento agora?

No começo do governo Lula, a Petrobras fez um movimento de abrasileiramento dos preços. Construímos um cenário, no qual acompanhamos a tendência no mercado internacional, evitando trazer para o Brasil a volatilidade, seja a flutuação do preço do Brent ou do câmbio, e sem cobrar custos inexistentes. O conselho de administração, com representantes governamentais e privados, acompanha esse desempenho todo mês. Fechamos 2024, e ninguém reclamou. Acho que estamos no caminho certo. Preço não foi um problema, não oneramos o caixa da empresa com questões de preço, e no começo do ano aumentamos o preço do diesel de novo.

Hoje estão equilibrados? Hoje, não estamos pensando em mexer (nos preços) a curto prazo.

Como a Petrobras recebeu a aprovação pelo Ibama do plano de limpeza da sonda que será utilizada na Margem Equatorial?

Com muita alegria, estávamos esperando por isso há muito tempo. Entregamos a última demanda do Ibama no fim de novembro, respondendo a todos os questionamentos. Estamos concluindo a obra do segundo Centro de Despetrolização da Fauna, no Oiapoque (Amapá), no fim de março; promovemos energia no local, que não tinha; conservamos o aeroporto; e atribuímos tudo isso à autorização do Ibama para mover a sonda e começar a limpeza.

Quanto tempo demora esse processo?

Essa sonda está furando na Bacia de Campos e vai levar dois meses para limpar o casco. Temos de garantir que não vá nenhuma espécie invasora. É uma sonda de primeira qualidade, compatível com todos os níveis de segurança para perfurar no Amapá, em águas profundas. Estamos promovendo um plano de emergência individual único no mundo. É o maior que eu já vi para águas profundas, inclusive contando com monitoramento de eventuais derrames com tecnologia em parceria com a Nasa.

A sra. está otimista com a obtenção da licença para a Margem Equatorial? Com certeza. Apesar de o presidente do Ibama dizer que, olha, isso não é garantia de licença, eu acho que, no mínimo, é um excelente indicativo de que estamos no caminho certo.

É sua primeira vez como presidente da Petrobras na CERA Week. Quais suas impressões?

A grande mensagem dos representantes dos EUA foi: “Olha, nós estamos querendo que vocês sejam bem-vindos, que produzam muita energia”. Essa é uma boa mensagem e que acolhemos de uma forma muito benéfica. No Brasil, é a mesma coisa. A gente também diz bem-vindos para quem quer investir, fazer geração de energia no Brasil.

Como a Petrobras se posiciona neste cenário? Fornecemos 31% de toda a energia primária do País. Olhando para os próximos 25 anos, para mantermos a nossa relevância, precisamos crescer no passo do Brasil. Temos de crescer pelo menos 60% nos próximos 25 anos. E aí muitos vão dizer: “Ah, mas isso é muito desafiador, isso é difícil de acontecer”. E eu digo: “Não, não é tão difícil.

“O que não é interessante para nós é ficar com o preço muito alto porque perdemos mercado. Com preço muito baixo, perdemos dinheiro. Então, olhamos o tempo todo se essas coisas estão equilibradas”

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